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  • Foto do escritorPaulo Markun

Por acaso, cientistas americanos descobrem coquetel do rejuvenescimento

Atualizado: 18 de jun. de 2023

Depois de receberem, por um ano, um coquetel de drogas composto por dois remédios para a diabetes e um hormônio de crescimento, nove voluntários perderam em média dois anos e meio em suas idades biológicas. O estudo desenvolvido na Universidade da Califórnia em Los Angeles, ganhou espaço na mídia após ser destaque na revista Nature, no mesmo dia em que deveria ser veiculado numa publicação científica bastante restrita, a Aging Cell.

Numa atitude rara em ciência, os dez pesquisadores que assinam o artigo dizem que o estudo TRIIMM ((Thymus Regeneration, Immunorestoration, and Insulin Mitigation) pode ser o primeiro ensaio clínico humano desenvolvido para reverter aspectos do envelhecimento.

Segundo a pesquisa, as marcas nos genomas dos voluntários, que funcionam como um relógio epigenético e seus sistemas imunológicos melhoraram, apesar do tempo. À medida em que envelhecemos, modificações ou marcações químicas são adicionadas ao nosso DNA. Observando essas modificações podemos medir a idade biológica.

Os cientistas não buscavam esse resultado – foi por acaso – e ficaram muito surpresos. Eles queriam entender se é seguro usar o hormônio de crescimento para restaurar os tecidos da glândula timo, que atinge suas dimensões máximas na puberdade e a partir dos 40 anos, já tem 90% de seu tecido funcional substituído por gordura. Esse processo também é parcialmente responsável por diminuir a imunidade dos idosos. Estudos anteriores já indicavam que o hormônio do crescimento permite iniciar a regeneração da glândula timo.

O professor Steve Horvath, que comandou o estudo, analisou quatro medidas diferentes do relógio epigenético para entender as diferentes idades de cada um dos pacientes. A reversão foi tão expressiva que ele pretende agora testar os mesmos efeitos com mais pessoas, de diferentes faixas etárias, etnias e mulheres.

O coquetel inclui hormônio do crescimento (HGH), metformina (um conhecido medicamento utilizado no controle da diabetes) e DHEA, ou Desidroepiandrosterona, um esteroide produzido nas glândulas adrenais e convertido em hormônios sexuais (estrogênios e androgênios), que tem efeitos semelhantes ao da testosterona no organismo e pode ser extraída do inhame mexicano. O coquetel era acompanhado de vitamina D e zinco.

Alguns medicamentos já estavam sendo pesquisados como formas de combater doenças relacionadas à idade. Mas foi a combinação dos três produtos que apresentou resultados, segundo os pesquisadores. Os resultados animadores devem levar a novos estudos, embora não haja nenhum ingrediente patenteável no tal coquetel, onde a sinergia parece ser a chave para esse efeito surpreendente.

Uma grande preocupação dos cientistas era com um possível aumento de um mitógeno, o IGF-1, que poderia exacerbar possíveis focos de câncer ou pré-câncer de próstata. Mas os níveis de PSA (antígeno prostático específico, uma espécie de medidor do risco de câncer) melhorou aos 15 dias de tratamento e permaneceu favorável ao final de um ano. Dois voluntários registraram um aumento do PSA aos seis meses, mas isso foi rapidamente revertido. Não houve nenhuma mudança nos níveis de testosterona.

“Eu esperava ver o relógio andando mais devagar, mas não uma reversão no tempo”, disse o doutor Horvath à Nature. “Parece ficção científica”.

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