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  • Foto do escritorPaulo Markun

Idosos que dormem mal e pouco lembram menos do passado

Atualizado: 18 de jun. de 2023

Idosos que dormem menos ou dormem mal diminuem a capacidade de lembrar informações sobre o passado. Isso é o que concluíram pesquisadores do Georgia Institute of Technology. O estudo-piloto, que ainda requer melhor confirmação, envolveu 50 adultos da área de Atlanta e encontrou diferenças etárias e raciais imprevistas. Audrey Duarte, professora da escola de Psicologia da Georgia Tech e a pesquisadora-chefe do Laboratório de Memória e Envelhecimento, diz que o estudo, publicado na edição de 4 de junho da revista Frontiers in Human Neuroscience, associou sono e memória entre os idosos e os negros, independentemente da idade.

O trabalho começou com 81 voluntários da área de Atlanta, que foram filtrados para dispensar os que tinham algum comprometimento cognitivo leve. Os mais jovens estavam entre os 18 e os 37 anos e os mais velhos, entre 56 e 76 anos, totalizando 50 selecionados.

Os pesquisadores queriam ver como as pessoas dormiam normalmente e como seus padrões de sono iam mudando com o tempo. Acelerômetros colocados nos pulsos dos participantes mediram a duração e a qualidade do sono durante um período de sete noites. Não foram avaliadas as ondas cerebrais, mas a pesquisa com os acelerômetros pôde ser feita em casa, em condições mais realistas do que as de um laboratório, onde a investigação se resume a uma noite, normalmente.

No laboratório, os cientistas mediram as ondas cerebrais dos participantes, enquanto estes tentavam recordar os pares de palavras que lhe haviam sido mostrados anteriormente. Os adultos mais velhos foram pior no teste, como previam os pesquisadores. A maior surpresa foi diante do desempenho dos negros: estes dormiam 36 minutos menos que outros adultos, o que resultou na diminuição de 12% na atividade cerebral relacionada à memória. Em uma noite normal, os adultos negros no estudo passaram 15 minutos a mais de tempo acordados depois de adormecer do que os outros participantes.

Também foram identificadas variações significativas entre participantes da mesma faixa etária. Alguns idosos de 70 anos tiveram resultados similares aos dos estudantes de 20 anos. Ou seja: o sono regular é importante em qualquer idade para o melhor desempenho cognitivo.

A dificuldade dos idosos é que o sono desse grupo costuma ser mais curto e entrecortado. Weiwei Zhang, professor de Psicologia e coordenador de outro estudo realizado pela Universidade da Califórnia- Riverside, divulgado em 10 de maio deste ano, resume as recomendações: “Para que a mente funcione da melhor maneira possível, é importante que os idosos tenham boa qualidade de sono e estejam de bom humor”.

A maioria dos idosos acorda mais vezes, dorme menos durante a noite e cochila durante o dia. Eles aumentam a taxa de sono superficial e diminuem o tempo dedicado ao sono mais profundo. O que os cientistas ainda querem saber é se isso é um resultado do processo natural do envelhecimento, ou decorre de condições psiquiátricas ou outras mais comuns na velhice.

Parte da insônia entre os idosos tem a ver com influências externas: ruído no ambiente de casas de repouso, por exemplo, contribui fortemente para o despertar noturno. Também contribui o excesso de frio ou de calor, a exposição à luz à noite ou a escuridão do quarto durante a manhã. A falta de exercício é outro complicador.

Em outro estudo, publicado na edição de fevereiro da revista Current Biology conclui-se que não há vantagens em usar o final de semana para recuperar o sono perdido nos dias úteis. O chamado sono de recuperação de fim de semana ad libitum – ou seja, á vontade, ao bel prazer - não parece ser capaz de impedir a desregulação metabólica provocada pelo sono insuficiente da semana. Os pesquisadores da Universidade do Colorado distribuíram adultos saudáveis em trê sgrupos – o de controle, que dormiu nove horas por dia; o que só dormiu cinco horas por noite, sem recuperação no final de semana e os que puderam dormir livremente sábado e domingo. Estes dormiram em média uma hora e dez minutos mais em cada noite de folga, voltando a dormir pouco nos dois dias seguintes. A ingestão de energia após o jantar foi reduzida durante o sono de recuperação de fim de semana. O sono de recuperação de fim de semana não impediu o ganho de peso ou reduziu a sensibilidade à insulina. Resultado, na avaliação dos pesquisadores: “ o sono de recuperação de fim de semana não é uma estratégia eficaz para prevenir a desregulação metabólica associada a sono insuficiente recorrente”.

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