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  • Foto do escritorPaulo Markun

Velhos não sentem mais solidão que jovens

Atualizado: 18 de jun. de 2023

Velhos não sentem mais solidão que os jovens, ao contrário do que o senso comum preconiza. É o que aponta o estudo Solidão em todo o mundo: diferenças de idade, gênero e cultura na solidão, desenvolvido pelas pelas universidades de Exeter, Manchester e Brunel no Reino Unido e publicado na revista Personality and Individual Differences, a partir de informações de 46.054 pessoas com dades entre 16 e 99 anos de 237 países, ilhas e territórios.

O BBC Loneliness Experiment mostra que a solidão aumenta com o individualismo, diminui com a idade e é maior entre homens do que entre as mulheres. Os mais vulneráveis à solidão são os homens mais jovens vivendo em culturas individualistas.

A professora Manuela Barreto, uma psicóloga portuguesa vinculada à Universidade de Exeter, Reino Unido, e a primeira autora do estudo acha que os resultados têm a ver com a expectativa dos vários grupos etários: “Ao contrário do que as pessoas podem esperar, a solidão não é uma situação única para as pessoas mais velhas. De fato, as pessoas mais jovens relatam maiores sentimentos de solidão. Como a solidão decorre da sensação de que as conexões sociais de alguém não são tão boas quanto desejadas, isso pode dever-se às diferentes expectativas das pessoas mais jovens e mais velhas. O padrão de idade que descobrimos parece manter-se em muitos países e culturas.”

A pesquisa lembra que adolescentes e jovens adultos são vulneráveis à solidão devido à instabilidade de suas redes sociais, relacionadas a mudanças na escola, exploração de identidade ou mudanças físicas que podem tornar os jovens vulneráveis à exclusão. A meia-idade pode ser particularmente vulnerável à solidão, impulsionada pelo status do trabalho, renda, separação ou disponibilidade reduzida de tempo devido a responsabilidades no trabalho e nos cuidados.

Já a solidão entre os idosos, costuma decorrer da perda de pessoas em sua rede social (como resultado de aposentadoria ou luto), por morar só ou pela redução da mobilidade provocada por condições de saúde A solidão foi medida a partir das respostas para a Escala de Solidão da UCLA, que apresenta questões do tipo: você sente falta de companhia?; você se sente excluído ?; você se sente isolado dos outros? com pessoas ao seu redor? Para cada pergunta, os participantes deveriam indicar a frequência com que isso aconteceu com eles em uma escala variável de 1 (nunca) a 5 (sempre).

Como já foi dito, a solidão diminui com a idade, mas ao fazer a interação entre idade e gênero a pesquisa concluiu que a solidão diminui com a idade para participantes masculinos e femininos, embora o efeito da idade seja um pouco mais forte para homens do que para mulheres.

Por sua vez, os participantes do sexo masculino relataram mais solidão do que as participantes do sexo feminino em todas as idades, mas esse efeito de gênero foi mais fraco para os participantes mais velhos do que os mais jovens ou os de meia idade.

Do ponto de vista científico, a solidão não é um sentimento, mas uma experiência que tem dimensões emocionais e cognitivas. É uma experiência subjetiva influenciada pela personalidade, história e variáveis situacionais.

Há dois tipos de solidão: a reativa e a essencial. A primeira é a solidão ocasional que pode ser vivenciada ao sofrer a perda de uma pessoa significativa ou várias outras perdas, ou uma grande perturbação na vida, como mudar para outra cidade ou país ou separar-se de um ente querido.

A solidão essencial está entrelaçada em nossa personalidade, provavelmente como resultado de experiências de infância ou infância com cuidadores. As pessoas que estão sozinhas em seu âmago não podem simplesmente parar com isso, a menos que sejam submetidas a psicoterapia profunda e demorada.

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