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  • Foto do escritorPaulo Markun

Vacinas contra coronavírus podem falhar com idosos, alertam pesquisadores canadenses

Atualizado: 18 de jun. de 2023

O alerta foi feito por dois imunologistas e professores canadenses da Universidade de Ghelp, Byram W. Bridle e Shayan Sharif ao blog The Conversation: os vacinologistas – e eles se incluem no grupo – têm falhado ao ignorarem o fato de que os velhos respondem mal às vacinas contra a gripe – o que faz supor que o mesmo vá acontecer em relação à imunização contra o novo coronavírus.

Isso acontece por causa do fenômeno que os imunologistas chamam de imunossenescência, que é o declínio do sistema imunológico que acompanha o envelhecimento. É por essa razão que os velhos têm mais doenças inflamatórias – na verdade, eles respondem pior aos ataques e são mais propensos, entre outras mazelas, a desenvolverem doenças respiratórias. E é aí que mora o perigo do novo coronavírus: a principal infecção causada pelo SARS-CoV-2 é a justamente a inflamação no trato respiratório.

Bridle e Sharif alertam para o fato de que a maior parte da experiência da comunidade científica no desenvolvimento de vacinas está ligada a testes realizados com pacientes jovens. “ O fato de as pessoas idosas não responderem bem às imunizações tem sido amplamente ignorado na maioria das discussões sobre as vacinas COVID-19, apesar de este ser o grupo de maior necessidade”, afirmam no artigo.

Os canadenses propõem um método prático de testar o que afirmam - sugerem que os leitores encontrem o maior número possível de artigos de pesquisa originais sobre o tema do desenvolvimento de vacinas que usaram testes em animais (pode ser para qualquer doença) e olhem na subseção da seção "materiais e métodos", para verificar a idade dos animais.

A dupla diz ter ficado chocada com a descoberta: os ratos, animais mais comuns usados na pesquisa pré-clínica de vacinas, têm, na maior parte dos casos, 12 semanas ou menos, o que equivale a pessoas com 20 anos ou menos. “É comparativamente muito mais raro os estudos usarem camundongos imunosenescentes com pelo menos 18 meses de idade, equivalentes e humanos idosos.” No caso de estudos envolvendo primatas não humanos, como os macacos Rhesus, estes têm entre três e seis anos de idade, o que equivale a um adolescente ou adulto jovem.

“Os ensaios clínicos de fase inicial”, seguem os dois pesquisadores, “concentram-se na segurança, não na eficácia das vacinas. Portanto, muitas vacinas nunca são testadas no contexto do sistema imunológico envelhecido até os ensaios clínicos de Fase 2 e 3. O tempo para descobrir que uma vacina não funciona bem no contexto da imunossenescência não é neste estágio extremamente tardio, quando é tarde demais para resolver o problema. Esse teste deve começar na fase pré-clínica em que um processo iterativo pode ser seguido para adaptar uma vacina para um sistema imunológico senescente.”

O problema tem origem banal: os fornecedores de animais criados para fins de pesquisa não possuem a quantidade suficiente de animais velhos. A maioria dos ratos antigos disponíveis são da linhagem C57BL, que é a cepa mais comum usada na pesquisa e é conhecida por possuir um sistema imunológico com forte tendência a respostas efetivas contra vírus e entre estes camundongos idosos, muitos desenvolvem uma forma mais grave de SARS depois da infecção, do mesmo modo que acontece com os humanos idosos.

“O uso excessivo de camundongos jovens com sistemas imunológicos ideais para respostas antivirais e com doenças menos graves pode influenciar os resultados de uma maneira que superestima o potencial das vacinas em ter um bom desempenho em idosos”, alertam os dois professores canadenses.

Embora as pessoas acima de 65 anos concentrem os casos mais graves da COVID 19, os canadenses suspeitam que a maioria das vacinas que estão na fase 3 não foram submetidas à otimização pré-clínica para uma população idosa, o que significa que a primeira geração de imunizantes contra o novo coronavírus podem simplesmente não serem eficientes para os que mais precisam.

“Para a pandemia do COVID-19,”concluem os dois cientistas, “é tarde demais para voltar e incorporar essas considerações em testes pré-clínicos. No entanto, é imperativo que os pesquisadores ainda na fase pré-clínica incorporem testes frente a frente de seus candidatos a vacina em animais jovens versus idosos e desenvolvam estratégias para otimizá-los neste último. Isso ajudará o mundo a se preparar para o próximo surto de um perigoso coronavírus. Nesse sentido, o foco nos idosos deve ser incorporado a outros programas de desenvolvimento de vacinas, incluindo aqueles para o tratamento de câncer, que têm maior incidência em idosos(...) Embora alguns pesquisadores realizem estudos de vacinas em animais velhos , muito mais vacinologistas precisam levar em conta a peculiaridade dos idosos – e isso é de crescente importância para países com populações em envelhecimento. O que significará mudar a filosofia atual do campo de desenvolvimento de vacinas e incorporar a idade como uma variável crítica.”

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