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  • Foto do escritorPaulo Markun

Imortalidade pode estar próxima, eis a promessa do momento

Atualizado: 18 de jun. de 2023

O engenheiro venezuelano José Luiz Cordeiro, 57 anos anos, estudou no prestigioso MIT - Massachusetts Institute of Technology. Ele diz há tempos, em alto e bom som que não pretende morrer. Daqui a 30 anos, imagina, estará mais jovem do que hoje, inclusive. Cordeiro não fala isso em mesa de bar, mas em palestras e conferências mundo afora. Mais: essas e outras ideias estão imortalizadas, com o perdão do trocadilho rasteiro, num livro em parceria com David Woods, que ele vai lançar em São Paulo na próxima quarta-feira, 30 de outubro, num evento na Unibes Cultural, depois de uma palestra sobre…ciência e imortalidade.

Cordeiro é bom de papo e tem agenda de pop star. Mundo afora, há gente ansiosa por ouvir mensagens otimistas como a que ele oferece. “A morte da morte - possibilidade científica da imortalidade” agora lançado no Brasil pela LVM Editora (que também propaga aqui as ideias do economista austríaco Ludwig Von Mises) tem conquistado espaço na mídia, embora volta e meia acusem seu autor de ser um charlatão.

A chave para alcançarmos um sonho impossível e presente desde o tempo dos faraós, diz ele, decorre de uma mistura promissora de “inteligência artificial, regeneração de tecidos, tratamentos com células-tronco, impressão de órgãos, crio-preservação, bem como terapias genéticas ou imunológicas que resolverão o problema do envelhecimento corporal humano”

O venezuelano coloca em seu currículo um vínculo com a Singularity University, iniciativa conjunta de gigantes do porte de Google e Cisco, mas a instituição nega. Ele também é diretor do Millenium Project, um think tank futurista independente concebido em 1988. Para Cordeiro, os avanços da ciência vão melhorar muito nosso software e nosso hardware - cérebro e corpo -, a ponto da morte ser reduzida a um erro ou defeito, que pode ser corrigido ou evitado.

Pinta de executivo de um banco - engravatado, bem barbeado, elegante - Cordeiro tem companhia no papel de porta-bandeira dessa ideia. Um dos mais conhecidos é Aubrey de Grey, um bio-gerontologista britânico com uma barba de fazer inveja a qualquer profeta bíblico. Autor de O Fim do Envelhecimento, os avanços que poderiam reverter o envelhecimento humano durante nossa vida (NTZ Publicações), esse PhD pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, disse certa vez que poderemos chegar aos mil anos. Ele define o envelhecimento como um acúmulo de danos a nível celular e molecular, que pode ser evitado ou pelo menos combatido efetivamente. De Grey divide o envelhecimento em sete tipos básicos de danos e propõe uma estratégia de combate para cada um deles. Uma das principais apostas dele e da Fundação Sens é nas terapias com células-tronco especialmente e imunoterapia contra amilóide no cérebro, que já em 2021 podem entrar na fase de ensaios clínicos em humanos.

O pessoal que aposta na extensão da vida se divide em dois grupos: os pesquisadores científicos e os que vêem nesse campo um bom negócio. Há muitos deles entre os capitalistas do Vale do Silício, para quem apostar em fantasias e aparentes impossibilidades já deu certo. Coincidentemente, José Luiz Cordeiro fez a última entrevista com o escritor Arthur C. Clarke, em 2008 na casa do escritor em Sri Lanka. Clarke, cujo conto The Sentinel, de Clarke, inspirou o filme 2001, uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, previa que a humanidade alcançaria a imortalidade em 2090. Cordeiro baixou o prazo para 2045. Quem viver, verá.

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